Terremotos podem ser criados por humanos?

Por , em 12.11.2013
Barragem de Hoover Terremotos

Barragem de Hoover

O conceito de terremoto artificial parece fantasia. Os terremotos devem ser causados pelo movimento das placas tectônicas, um processo natural, não?

Terremotos artificiais?

É estranho imaginar que os seres humanos poderiam afetar tais características do planeta e, de fato, resistimos a essa ideia por bastante tempo. Agora, no entanto, evidências para nosso papel nessas tragédias estão começando a se acumular.

Nos últimos anos, temos visto um pico incrível na frequência de terremotos. O Serviço Geológico dos EUA afirma que a taxa de terremotos mais fortes do que magnitude 3,0 no centro e leste dos EUA é cerca de cinco vezes maior do que costumava ser. De 2010 a 2012, essa área experimentou uma média de 100 terremotos desse tipo por ano, enquanto que de 1967 a 2000 a média anual foi de 21.

Já faz um tempo que os pesquisadores sugerem que os humanos desempenham um papel na ocorrência de terremotos, especialmente quando preenchemos grandes barragens. O peso da água que se acumula em uma represa exerce uma enorme quantidade de estresse sobre a terra abaixo dela, o que pode fazer com que se desloque. Por exemplo, na década de 1930, a construção da represa de Hoover, no Arizona, EUA, desencadeou uma explosão de atividade sísmica nas proximidades que atingiu a magnitude 5 na escala de Richter.

Mesmo mineração de carvão convencional e extração de petróleo podem causar terremotos, esvaziando áreas anteriormente resistentes e criando grandes espaços com deficiências estruturais.

Um estudo espanhol também sugeriu que o terremoto moderado de magnitude 5,1 que atingiu a cidade de Lorca em 11 de maio de 2011, matando nove pessoas e ferindo quase 300, foi influenciado pela perfuração de poços cada vez mais profundos ao longo de décadas naquela região da Espanha.

Ainda assim, a prática de bombear coisas para dentro da terra parece ser muito mais prejudicial do que o processo de puxar coisas para fora.

Um novo estudo associou uma série de pequenos tremores perto de Snyder, Texas (EUA), com a injeção subterrânea de gás CO2. Quando injetado profundo o suficiente no subsolo, o gás congela em pequenas rachaduras na rocha, em um processo essencialmente inverso ao fraturamento hidráulico (método polêmico para extrair petróleo do solo).

Entre a pressão física exercida pelo gás e as mudanças químicas que pode causar na rocha, parece que a injeção pode causar terremotos de um tamanho decente. Embora ninguém tenha ouvido falar dos terremotos de Snyder, a cidade experimentou 93 deles, três dos quais poderosos o suficiente para serem perigosos.

Tenha em mente que, enquanto os cientistas afirmam ter provas de que as injeções causaram diretamente esses terremotos, eles também apontam que quantidades iguais de injeção de gás e líquido em outros lugares não causaram tremores. Apesar da dúvida, a solução a esse mistério pode ser tão simples quanto aprender a examinar um local candidato à injeção para evitar os propensos a formação de terremotos.

A maioria das coisas que nós bombeamos para o solo são resíduos. Quer se trate de gases causadores do efeito estufa ou de ácido sulfúrico produzido em um processo industrial, tudo tem que ir a algum lugar. No entanto, as preocupações com nossa tendência a criar “desastres artificiais” terão de ser levadas em conta na avaliação de qualquer tecnologia para se livrar de substâncias indesejadas daqui em diante. [Geek]

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10 comentários

  • Washington Souza:

    Hum… Interessante.
    Mas vejam:
    População da China: 1.338.612.968
    Supondo que a população e lá seja muito magra assim como creio que sejam, faça-mos o cálculo.
    Se esses habitantes se mobilizassem e em um determinado dia a uma determinada hora poderia destruir muita coisa só “pulando”.
    Olha:
    1.338.612.968 (Habitantes) x 60 (kg) = 80316778080 kg de impacto em um pulo simples usando somente as pernas, estranho não?
    Eu acho que baseado nisso ai acima. A China tem mais poder de que imagina.

    • Cesar Grossmann:

      Só que tem alguns problemas de ordem prática:

      1. o impacto não pode ser concentrado em um ponto só, ele será distribuído, e em que área?

      2. parece uma força tremenda, mas quanta energia é necessária para deslocar um trecho qualquer da crosta terrestre? E como se compara esta força com a explosão de uma bomba nuclear, por exemplo?

    • Henrique Brand:

      isso é apenas 1.6*10^(-12) % da massa da terra, ou seja, quase nada.

  • Felipe Medeiros:

    E o Nikola Tesla e a maquina de terremoto? O cara destruiu um quarteirao inteiro dentro da casa dele

    • Cesar Grossmann:

      Não. Não há relatos de que ele tenha destruído um quarteirão com um terremoto artificial. Ele fazia alguns espetáculos de raios, e chegou a deixar uma cidade sem energia por alguns dias, mas nada de terremoto, até onde eu sei (os mythbusters fizeram um teste com uma máquina):

      http://en.wikipedia.org/wiki/Tesla's_oscillator#.22Earthquake.22_claims

  • Guilherme Ferreira:

    Os estudos de Sismicidade desencadeada já são parte importante da Sismologia há algumas décadas. O maior evento já registrado e comprovado de Sismicidade Desencadeada por Reservatório (SDR) aconteceu em Koyna, na Índia, e atingiu magnitude 6,9 (MR).

    No Brasil já temos registro de SDR desde a década de 60/70, e em todo o Brasil. Embora seja um fenômeno “artificial”, é bastante comum e traz razoavelmente poucos prejuízos.

    Parabéns pela matéria!

  • Zoro:

    Eu pensava que iria se tratar de outro tipo de influência humana para causar terremotos tipo aquela teoria conspiratória da Haarp.

    • Cesar Grossmann:

      A teoria conspiratória do HAARP é só uma teoria conspiratória. Aquelas antenas e o projeto em si deixa assustado quem não entende o que está acontecendo, e daí nascem as explicações mais mirabolantes…

    • Luiz Fernando:

      É possível quebrar taças com ondas sonoras, porque não prescipitar placas tectônicas e causar terremotos/maremotos?

    • Cesar Grossmann:

      Vai com calma Luiz Fernando, as taças são quebradas quando você usa uma onda sonora muito forte (um estrondo sônico) ou então quando você usa uma onda que esteja em ressonância com a frequência natural da taça. Mas são fenômenos mecânicos, dá para descobrir sua origem, e eles deixariam registros nos sismógrafos do mundo todo.

      Além do mais, o projeto HAARP utiliza antenas e ionizadores. Sem efeito em placas tectônicas, apenas em dipolos atômicos da ionosfera e atmosfera superior.

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