Outros universos existiam antes do Big Bang e ainda podem ser observados hoje, afirma ganhador do Nobel

Por , em 8.10.2020

Um universo existia antes do Big Bang e ainda pode ser observado hoje, afirmou Roger Penrose, ao receber o Prêmio Nobel de Física.

Roger, com 89 anos, que ganhou o prêmio por seu trabalho fundamental para provar a existência de buracos negros, disse que encontrou seis pontos “quentes” no céu (apelidados de “Pontos Hawking”), que têm cerca de oito vezes o diâmetro da Lua.

Eles foram nomeados em homenagem ao físico Stephen Hawking, que teorizou que os buracos negros “vazam” radiação (conhecida como radiação Harking) e, eventualmente, evaporam completamente.

A escala de tempo para a evaporação completa de um buraco negro é enorme, possivelmente mais longa do que a idade do nosso universo, impossibilitando que detectemos fenômeno.

No entanto, Roger acredita que buracos negros “mortos” de universos anteriores ou são observáveis ​​agora. Se isso for realidade, provaria que as teorias de Hawking estavam corretas.

Roger dividiu o Prêmio Mundial de Física com o Hawking em 1988 por seu trabalho sobre buracos negros.

Falando de sua casa em Oxford para o Telegraph, Sir Roger disse: “Eu afirmo que há observação da radiação Hawking. O Big Bang não foi o começo. Havia algo antes do Big Bang e esse algo é o que teremos em nosso futuro. Temos um universo que se expande e se expande, e toda a massa se desintegra, e nesta minha teoria maluca, esse futuro remoto se torna o Big Bang de outro éon.”

“Então nosso Big Bang começou com algo que era o futuro remoto de uma era anterior e teria buracos negros semelhantes evaporando, através da evaporação de Hawking, e eles produziriam esses pontos no céu, que eu chamo de Pontos de Hawking.”

“Estamos vendo eles. Esses pontos têm cerca de oito vezes o diâmetro da Lua e são regiões ligeiramente aquecidas. Existem evidências muito boas para pelo menos seis desses pontos.”

Sir Roger publicou recentemente sua teoria de “Pontos de Hawking” na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A ideia é controversa, embora vários cientistas acreditem que o universo opera em um ciclo perpétuo no qual se expande, antes de se contrair em um ‘Big Crunch’ seguido por um novo Big Bang.

Sir Roger disse que os buracos negros também já foram polêmicos. Eles foram teorizados pela primeira vez pelo pastor inglês John Mitchell em 1783, que especulou que se um objeto se tornasse tão denso, sua enorme atração gravitacional impediria até mesmo a luz de escapar.

Mas mesmo Albert Einstein os descartou como curiosidade matemática, em vez de uma realidade física.

Foi só em 1964, nove anos após a morte de Einstein, que Sir Roger propôs que os buracos negros são uma consequência inevitável da relatividade geral.

Sir Roger provou que quando os objetos se tornam muito densos, eles sofrem colapso gravitacional a um ponto de massa infinita onde todas as leis conhecidas da natureza cessam, chamado de singularidade.

Seu artigo inovador ainda é considerado a contribuição mais importante para a teoria da relatividade desde Einstein, e maior evidência para o Big Bang.

Sir Roger estava na casa dos trinta anos quando esbarrou na a ideia ao caminhar até uma estação de metrô em Londres a caminho do Birkbeck College. Agora, 56 anos depois, ele finalmente foi reconhecido por seu trabalho pela Academia Real de Ciências da Suécia.

Sir Roger recebeu a homenagem ao lado dos professores Reinhard Gerzel, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, e Andrea Ghez, da Universidade da Califórnia, que provou que existe um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, estudando seu impacto sobre as estrelas ao seu redor. [The Telegraph]

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9 comentários

  • Willian Lima:

    Acho que o Big Crunch não é bem a hipótese que é invocada por essa hipótese de Penrose, tá mais pra um novo Big Bang muito depois da morte fria (ou Big Freeze) de um outro universo, já vi que isso pode acontecer no futuro distante do nosso universo e talvez nosso passado tenha sido o futuro distante de um universo anterior. Mas imaginava que na inflação qualquer vestígio desse antigo universo, como um antigo buraco negro ainda evaporando, acabaria arrastado pra longe do universo observável, afinal se foi o espaço tempo que expandiu acima da velocidade da luz durante a inflação que foi o Big Bang, o espaço existente simplesmente continuaria de fora, mas se Penrose estiver certo, algo deve acontecer que permita que algo do anterior permaneça.
    E em um universo infinito em espaço podem ocorrer vários Big Bangs sem que nenhum interfira com o outro, como universos ilhas, talvez universos pulem para a existência o tempo todo, muito além do horizonte observável e sejamos só mais um deles.

  • rodolfosantos:

    então o nosso universo veio de um buraco negro, e isso quer dizer, universos paralelos?

  • taw15:

    Esses dias vi um usuário de um fórum gringo sobre suicídio dizendo que ele iria se matar porque estava absolutamente convencido de que a teoria do universo ekpyrotic estava certa, e que após morrer ele simplesmente voltaria aqui, justamente por acreditar verdadeiramente nesse lance do universo oscilar eternamente e ele ser apenas mais uma parte do universo. Para ele a morte não seria necessariamente eterna e sim semi-eterna, e ele realmente se matou ingerindo ********.

    • Cesar Grossmann:

      Que coisa…

    • ET Bilu:

      Quando começo a questionar alguém com essas crenças, as pessoas dizem “para de ser xato! Deixa ele acreditar, que mal tem?”. Está aí a resposta. Ignorância mata.

  • Oduvaldo Mello:

    O universo é infinito somente para o homem, porque no microcosmo do universo-matéria, fora do espaço-tempo, há um outro mundo, este sim infinito de verdade, um mundo que interpenetra o nosso e com ele se confunde, composto pela mesma matéria(energia), mas em outra dimensão, fora do espaço-tempo: o mundo espiritual ou dos Espíritos. Livro: O Átomo e o Espírito

    • Cesar Grossmann:

      Oduvaldo, isso é uma questão religiosa, isso é fé, não é ciência. Acreditar em alguma coisa porque está escrita em um livro, sem nenhuma evidência, é fé, é religião.

  • ENAX:

    Se antes de tudo não existisse nada, haveria um vácuo perfeito, só que a energia para criar o vácuo é tão grande que por maior que fosse não conseguiria. Um super buraco negro que conseguisse sugar tudo no universo implodiria muito antes de conseguir, pois a pressão do vácuo seria tão grande que o buraco negro não conseguiria sobreviver. Basta tentar criar vácuo num sistema fechado e verificar que chega um ponto que o vácuo implode o sistema. A energia para criar o vácuo é tão grande que implode qualquer coisa, até um buraco negro… Logo, antes do big bang existia sim o restante do universo… A força da gravidade não chega nem perto da força que o vácuo exerce sobre a matéria para evitar que o vácuo exista e pode ter sido isso que provocou o big bang e pode ser isso que provoca o afastamento das galáxias (o vácuo do universo tentando se preencher)…

    • Cesar Grossmann:

      O vácuo não exerce força. Não existe uma força do vácuo. O que existe é a gravidade que cria “grumos” de matéria, e nestes lugares, existe pressão atmosférica, mas é um engano achar que há alguma força exercida pelo vácuo para “sugar” a matéria.

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