12 ideias ambiciosas da Nasa para melhorar a exploração espacial

Por , em 17.10.2013

Há um tempo, a agência espacial norte-americana NASA anunciou os premiados do seu Programa de Inovação em Conceitos Avançados (NIAC, na sigla em inglês), programa por meio do qual ela financia projetos um pouco mais ambiciosos do que o habitual – um candidato anterior pretendia construir satélites que emitissem energia para a Terra.

As propostas deste ano são bastante incríveis também (entre elas, o voo perpétuo e o pit stop espacial). Os grupos já receberam, com um ano de antecedência, 100 mil dólares (cerca de 230 mil reais) para provar que os projetos têm seus méritos. Depois disso, eles voltarão a ser considerados para o estudo da Fase II, que distribui 500 mil dólares (1,160 milhão de reais) para o período de dois anos. Confira o que esse pessoal tem em mente:

12. Animação suspensa

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Seria ótimo se os astronautas pudessem se deitar em um foguete, tirar um cochilo e acordar em Marte, mas ainda não fomos capazes de alcançar o sonho da animação suspensa (ou seja, a desaceleração dos processos fisiológicos vitais por meios externos sem levar à morte), por meio da qual os viajantes do espaço poderiam ficar inconscientes, mas saudáveis.

Mesmo assim, continuamos perseguindo essa ideia. A NASA está dando dinheiro para empresa aeroespacial Space Works Engineering imaginar como será esse futuro, fornecendo “um projeto completo de uma missão a Marte”. A imagem ilustra o que seria o “habitat da transferência de torpor de indução” – ou seja, o lugar onde você cochilaria até chegar a Marte. O futuro parece… apertado.

11. Propulsão de fissão e fusão

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A energia de fusão, criada a partir de dois núcleos atômicos, ainda não é exatamente uma fonte de energia confiável. Porém, sistemas de energia de fissão e fusão combinados, nos quais a reação entre ambos é usada como uma fonte de força, já têm sido utilizado em armas desde os anos 1950.

Esta proposta quer ampliar essa ideia, transformando-a em uma estrutura capaz de criar a energia necessária para impulsionar um foguete para fora de nossa atmosfera. Os criadores dizem que o projeto “proporcionaria uma melhoria radical na nossa capacidade de explorar destinos em todo o sistema solar e além”.

10. Sondas espaciais planas

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Eis provavelmente a primeira ideia proposta pelos criadores envolvidos no NIAC que se tornará realidade: as sondas espaciais em 2D, ou seja, planas. A proposta – que é basicamente uma pipa marciana – seria começar com uma série de painéis planos amarrados juntos. Uma nave espacial então deixaria os painéis caírem enquanto sobrevoassem planetas.

A bordo de cada uma das sondas, haveria “uma variedade de sensores de sondagem para procurar planetas e corpos, geradores de energia e capacidade de telecomunicação”, dizem os criadores. E um extra: pipas divertidas com as quais as crianças marcianas podem brincar.

9. Pequenos satélites para explorar o sistema solar

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Os Cube Sats são pequenos satélites, do tamanho de uma caixa de papelão, que podem ser enviados para a órbita terrestre de maneira muito econômica. Nunca tinham explorado muito a vizinhança espacial da Terra, uma vez que geralmente apenas pegam carona em foguetes indo para o espaço.

Entretanto, um sistema de propulsão diferente poderia enviá-los para regiões mais distantes do sistema solar. Esta proposta sugere o uso de um sistema de propulsão térmica e elétrica combinada para transportar os satélites para outros planetas – o que seria astronomicamente mais barato do que mandar uma nave espacial convencional.

8. Pit stop espacial

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A proposta tem o objetivo de construir uma estrutura orbital no lado mais distante da lua para fornecer “água para proteção, irrigação e apoio à vida, terra para o desenvolvimento de ecossistemas, além de permitir a manutenção estrutura e melhorias”.

Na verdade, não se trata do primeiro projeto do gênero já proposto, mas há ainda um longo caminho para ser percorrido, considerando que o local onde se planeja instalar essa estrutura é a região mais distante para a qual uma nave espacial tripulada já foi enviada.

7. Voo perpétuo

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O voo perpétuo é autoexplicativo e quer dizer isso mesmo que você está pensando: uma aeronave que, teoricamente, voa durante anos sem precisar tocar o chão. “É o futuro!”, dizem os idealizadores. Este plano é diferente de outros no que diz respeito à redução do peso estrutural do avião, que pode chegar a 50%.

6. Mapeamento de asteroides

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É possível fazer mapas a distância de elementos geográficos como vulcões apenas pelo monitoramento de como eles interagem com raios galáticos – então por que não fazer o mesmo com asteroides?

Uma proposta sugere a criação de novos “instrumentos para naves espaciais, análise de dados e métodos de monitoramento de imagem” para tornar possível uma visualização mais profunda de asteroides e cometas. Essas informações podem ser úteis para os cientistas, e os autores dizem que tal projeto seria “necessário para o desenvolvimento de estratégias de defesa planetária”.

5. Bioimpressão

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Um fato consumado sobre Marte: existem poucos suprimentos lá. Mas como seria se, em vez de ter que transportar alimentos e outros produtos essenciais a bordo de uma aeronave, os viajantes espaciais pudessem imprimir comida, e até mesmo tecido humano, sob demanda? A NASA financiou essa ideia, que foi incluída neste lote de projetos. É esperar para ver – e comer.

4. Mais satélites manobráveis

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Naves espaciais pequenas (e, consequentemente, mais baratas) poderiam ser úteis para missões especiais da NASA, mas há um problema: os sistemas de propulsão atuais as tornam difíceis de serem manobradas.

Uma solução proposta é usar plasmônica, um campo de nanofísica utilizado para transmitir informações em alta velocidade com a vantagem das proporções dimensionais pequenas. No caso deste projeto, a tecnologia permitiria fornecer energia às naves, “fazendo com que as missões de exploração e ciência da NASA cheguem aonde antes era impossível”.

3. Robôs exploradores de alta tecnologia

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Para tirar o máximo proveito de robôs que exploram a superfície de corpos celestes, uma proposta sugere o uso de “Transformers”, robôs cuja plataforma pode se modificar de acordo com a necessidade, que podem ajudar em diversas missões.

“Em grandes áreas, eles podem refletir a energia solar, aquecer e iluminar os alvos, além de alimentar painéis solares, monitorar movimentos e agir como retransmissores de telecomunicações”, dizem os envolvidos no projetos. Esta última função se mostra bem importante, uma vez que a situação deve ficar muito solitária em Marte.

2. Telescópio-balão

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Eis aqui a mistura de uma tecnologia nova com outra nem tão nova assim. Segundo os idealizadores, a ideia consiste em “um refletor inflável, metade revestido de alumínio esférico, implantado dentro de um balão transportador muito maior – de pressão zero ou de superpressão”.

Seguindo esse esquema, o telescópio-balão suborbital poderia tanto olhar em direção ao espaço, quanto se voltar para a Terra. O objetivo é similar aos nossos amigos robôs exploratórios do item acima: “monitoramento remoto e atividades de telecomunicações”.

1. Satélites mais finos

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Em vez de produzir satélites com sensores relativamente volumosos, este projeto busca utilizar avanços na área de ótica para criar sensores feitos de milhões de “interferômetros [aparelhos usados para medir ângulos e distâncias aproveitando a interferência de ondas eletromagnéticas que ocorrem quando interagem entre si] de luz branca”. Esses interferômetros, por sua vez, acusam ondas invisíveis. Os satélites resultantes desse processo dariam à NASA alternativas de menor massa para estruturas maiores, como telescópios espaciais. [Pop Sci]

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11 comentários

  • Dinho01:

    “Os Cube Sats são pequenos satélites, do tamanho de uma caixa de papelão”
    Nada explicativo. Existem caixas de vários tamanhos.

  • franobre:

    Tenho uma duvida e quem sabe alguem poderia me responder. Desde a época do “2001 Uma Odisséia no Espaço” (ou muito antes) todos sabem que uma nave em forma de anel ou esfera, que fique girando a uma certa velocidade, produziria uma gravidade artificial o que possbilitaria enormes beneficios para os humanos que eventualmente trabalhem em uma Estação Espacial ou viajem no espaço. Então, porque ninguem projeta, de verdade, um objetio do tipo? A estação Espacial é um amontoado de blocos e mais parece (com perdão da expressão) uma favela espacial, porque não se construiu um belo anel giratório (parecido com o anel espacial que vemos no filme Elisium), que tenha gravidade própria. Isso sim é um projeto ambicioso!

    • Cesar Grossmann:

      Franobre, não sou expert na área, mas imagino que um dos problemas é que uma estrutura em movimento, gerando gravidade artificial, terá que ser bem mais forte que a estação espacial internacional, por exemplo. Ela estará sujeita a forças de tração e compressão que não existem na estação espacial, e acho que aí reside um dos problemas.

      Para suportar estas forças, ela terá que ter uma estrutura mais resistente, o que implica em materiais mais fortes ou mais material. Além disso, a inspeção sobre a estação terá que ser contínua, em busca de sinais de fadiga — vai ser necessário ter um equipamento para fazer auto-diagnóstico dos materiais, ou uma câmera que observe de fora o material e detecte fadiga, etc.

      Mas eu acredito que no futuro teremos algo do tipo, como, por exemplo, uma cápsula com contra-peso, conectada por uma fita de nanotubos, e girando, proporcionando gravidade artificial através da força centrífuga. E, quem sabe mais adiante, estações-colônias espaciais na forma de tubos (como Rama do romance de Arthur Clarke) ou na forma de roda de carroça, como aparece no filme 2001.

      Mas não se engane, estas estruturas custarão trilhões de dólares, principalmente se não contarmos com elevadores espaciais ou mineração de asteroides. Acho que o próximo passo seria concentrar recursos (pesquisas e desenvolvimento) nestas duas frentes.

  • franobre:

    Concordo com os demais comentaristas. Essas idéias podem ser qualquer coisa, menos “ambiciosas”. Creio que poderíamos renomear para “12 ideias realistas…”. Ou seja, não se propõe nada tão arrojado, apenas se propõe coisas que tem chance de virar realidade a curto-médio prazo (até 20 anos, creio eu). Ambiciosos seriam novos projetos e ideias de colonia marciana, ou novo telescópio espacial que realmente possibilitasse visualizar exoplanetas; ou sondas que explorassem o mar interior de satélites de Jupiter ou Saturno, só exemplificando coisas ambiciosas, mas dentro da realidade factível.

  • Eloyr:

    Que decepção! Pensei que veria reais chances de avanço nesta área. Eu mesmo tenho inovação mais radical que todos eles juntos, pois há vários anos criei teoria paralela à relatividade (sem negá-la) que esta sim; pode levar a humanidade aos confins do universo. Desejo-lhes melhor sorte da próxima vez.

    • Cesar Grossmann:

      Conseguiu publicar sua “teoria paralela à relatividade” em algum periódico científico? Enquanto não conseguir, modéstia é um plus.

    • Eloyr:

      Olá Cesar, estou me preparando para isto; espere um pouco e verá.

  • Andre Luis:

    Eu acho que seria excelente maior investimento na nanotecnologia, para mandar micro-satélites para o espaço. Imagino que se conseguissem criar satélites do tamanho de uma bola de golfe, seria mais fácil enviar vários, para fazer pesquisas com um baixo custo.

  • CARLA CRISTINA:

    NOSSA! NINGUEM PENSOU EM FAZER UM CANHÃO E ENVIAR UMA CAPSULA PARA O ESPAÇO!SE JULIO VERNE ESTIVESSE VIVO , IMAGINA SO AS HISTORIAS QUE ELE IRIA INVENTAR EM PLENO SECULO 21!

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