Cientistas transformaram garrafas e sacos plásticos em combustível líquido

Por , em 20.06.2016

Cientistas americanos e chineses desenvolveram uma nova forma de transformar resíduos plásticos em combustível líquido, usando menos energia e levando a um produto final de maior qualidade do que os métodos anteriores.

Solução muito esperada

Uma solução viável para o nosso problema com o plástico é urgente. A resposta global para gerenciar esses resíduos é praticamente o equivalente a colocar a sujeira debaixo do tapete e esperar que ela suma magicamente.

Tanto plástico está se acumulando em aterros que eles não serão uma opção em breve. Sem contar o estrago nos nossos mares – estima-se que, até 2050, haverá mais plástico do que peixes em nossos oceanos.

A nova técnica criada pelos pesquisadores é particularmente interessante porque quebra o polietileno, o plástico mais abundante no mundo, presente em tudo desde embalagens de alimentos a sacolinhas de compras. Cerca de 100 milhões de toneladas do material são produzidas a cada ano.

Quando pegamos esses resíduos plásticos e os transformamos em uma mercadoria que as pessoas podem realmente usar, temos enfim uma boa forma de resolver essa equação.

Plástico, colabora!

Dado todo o hidrogênio e carbono que compõe o polietileno, o combustível de hidrocarboneto líquido é a escolha óbvia para tal mercadoria.

Sendo assim, por que isso já não é feito em larga escala? A pedra no nosso caminho é que, apesar do polietileno ser feito a partir de combustíveis fósseis, convertê-lo de volta às suas partes básicas tem sido um desafio enorme por causa da estabilidade do plástico como composto químico.

“Se você deixar plástico no oceano ou enterrado no subsolo, ele vai ficar lá por centenas ou milhares de anos”, disse um dos membros da equipe, Zhibin Guan, químico na Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), ao portal Los Angeles Times.

Sem tratamento especial, o polietileno vai manter seu estado atual, graças às ligações atômicas individuais incrivelmente estáveis que lhe dão a sua estrutura. Se você aquecê-lo o suficiente, essas ligações finalmente se quebram, mas não de uma maneira prática. “Se você aquecê-lo em mais de 400 graus Celsius (o que alguns métodos fazem), o plástico colapsa em todos os tipos de combinações, resultando em uma mistura confusa de gás, óleo, cera e carvão que não é especialmente útil”, explica Guan.

O avanço

Para melhor a eficiência deste processo, Guan e sua equipe fizeram uma parceria com pesquisadores do Instituto Xangai de Química Orgânica, na China, a fim de desenvolver uma técnica de reciclagem que requer muito menos calor.

O processo utiliza catalisadores químicos que são normalmente usados para produzir polímeros. Um ajuste permite que eles quebrem polímeros em vez disso.

Primeiro, um catalisador separa os átomos de hidrogênio dos átomos de carbono, o que faz com que os átomos de carbono formem ligações uns com os outros. Estes novos átomos de carbono fazem ligações duplas ao invés de individuais, o que um segundo catalisador pode quebrar. Os átomos de hidrogênio separados são introduzidos de volta para a mistura, e o processo é repetido algumas vezes.

Gradualmente, os pesquisadores conseguem alterar a estrutura do polietileno até chegar a um combustível diesel ou uma cera que pode ser usada para fins industriais.

Meio caminho andado

Uma vez que o processo requer temperaturas de cerca de 175 graus Celsius em vez de 400 graus Celsius para quebrar a plástico, usa muito menos energia do que técnicas semelhantes.

Mas o novo método também possui desvantagens. Por exemplo, o processo é lento, levando cerca de quatro dias para ser concluído, e os catalisadores são caros.

Guan e sua equipe vão continuar trabalhando para tornar a sua técnica ainda mais eficiente, de forma que possa se tornar comercial o mais rápido possível. [ScienceAlert]

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4 comentários

  • Cesar Grossmann:

    Usar bactérias que consumam o PET não seria mais prático?

    • Dia De Tedio:

      Neste caso ele seria inútil, na visão humana,e melhor aproveitar cada item

    • Cesar Grossmann:

      Como não? Bactérias transformando plástico em combustível não seria útil?

    • Dia De Tedio:

      Por que aí não seria útil a nós.

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