Como microexpressões podem contagiar humores

Por , em 23.07.2019

Humores e atitudes podem ser contagiantes. O primeiro é um fato que você pode observar por conta própria, naquela reunião de família em que o parente chato deixa o clima pesado ou a prima animada empolga todo mundo.

Já as atitudes podem ser às vezes mais sutis. Por exemplo, você provavelmente não sabe disso, mas quando está conversando com um amigo, a maneira como vocês piscam se torna gradualmente sincronizada.

Também acontece, com frequência, do comportamento humano entrar em conformidade. O programa de TV americano Candid Camera demonstrou como isso funciona em 1962: atores entravam em um elevador junto com um desavisado, e viraram seus rostos para a parede. O indivíduo, conforme observava outros atores adentrando o elevador e fazendo o mesmo, ainda que não entendesse a razão, simplesmente não aguentava e seguia a tendência – virava o rosto para a parede também.

“Quando assistimos outras pessoas, por alguma razão, somos ‘projetados’ para entrar em sincronia com elas em muitas coisas inacreditáveis. E isso ocorre tão rápido que ninguém poderia fazê-lo conscientemente — tem que ser pelo tronco cerebral”, explica Elaine Hatfield, pesquisadora de psicologia na Universidade do Havaí (EUA).

Contágio emocional

Esse tipo de coisa está tão embutido em partes tão primitivas do cérebro que até animais fazem isso – segundo Hatfield, até mesmo pássaros imitam uns aos outros.

Ela e seu marido Dick Rapson estudam o fenômeno do contágio há muitos anos, especialmente o emocional.

Nos últimos anos, a dupla se concentrou em como microexpressões – expressões breves e involuntárias que duram uma fração de segundo – são capazes de influenciar humores.

Os cientistas perceberam que isso acontecia enquanto trabalhavam como terapeutas. Se tinham uma paciente depressiva, por exemplo, essa depressão era comunicada não verbalmente e deixava o psicólogo que a atendeu sonolento e cansado depois da sessão.

Expressão e humor

Depois de muitos anos de pesquisa, Rapson e Hatfield concluíram que seres humanos imitam automaticamente microexpressões, e isso pode causar uma emoção correspondente em nós.

Pesquisas já mostraram que sorrir é capaz de nos deixar alegres de verdade, por exemplo.

O fenômeno parece ter limites, no entanto. A extensão que este “contágio emocional” ocorre ainda é debatida no meio científico, mas uma coisa é clara: emoções podem ser construídas de fora para dentro.

Então nunca pense que está sozinho e é totalmente independente neste mundo. “Acabamos nos tornando aquilo que nossas companhias são”, advertem Rapson e Hatfield. Logo, é melhor escolher alguém com boas emoções para ficar por perto. [NPR]

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