Sim, acabamos de jogar duas sondas contra a lua

Por , em 19.12.2012

Neste dia 17 de dezembro, as sondas Ebb e Flow (“refluxo e fluxo”, como o das marés, ou “declínio e crescimento“), da missão Grail (“Gravity Recovery and Interior Laboratory”, ou “Laboratório Interior e de Recuperação de Gravidade”), chocaram-se contra a lua. Mas não foi um acidente: este evento já estava sendo planejado faz tempo.

O objetivo principal da missão Grail era mapear o campo gravitacional da lua. Para isso, a Nasa lançou em setembro de 2011 as duas sondas gêmeas. Em primeiro de janeiro, elas entraram em órbita lunar, altamente sincronizadas a 5.800 km/h.

Enquanto orbitavam a lua, as sondas monitoravam cuidadosamente a distância entre elas, podendo detectar uma flutuação de um décimo de mícron ou a metade da espessura de um fio de cabelo. Estas mudanças de distância entre as duas sondas é causada por alterações no campo gravitacional local que, por sua vez, é causada pela distribuição desigual de matéria na superfície lunar. O mapeamento obtido é o mais detalhado mapa de campo gravitacional e com a melhor qualidade que temos para qualquer corpo conhecido, incluindo a Terra.

Com este mapa foram feitas várias descobertas. As duas principais têm a ver com a natureza da crosta lunar, especificamente que ela é muito mais fina do que se acreditava, e que um par das grandes bacias de impacto provavelmente escavaram o manto lunar. Outra descoberta surpreendente, segundo Maria Zuber, principal pesquisadora do projeto, foi o quanto a crosta lunar estava fraturada por causa de impactos.

“Mas por que jogar duas sondas na lua para se espatifarem?”, você pode estar se perguntando. O problema é que o combustível das mesmas estava no fim. De uma forma ou outra elas estariam perdidas, então a Nasa planejou um impacto controlado em uma região chamada Sally K. Ride, em homenagem à primeira astronauta americana mulher (e provavelmente a primeira astronauta GLBT também) no espaço, falecida este ano por causa de um câncer.

O local de impacto escolhido é uma montanha de cerca de 2 km de altura, próximo ao polo norte. Colidindo a 1,7 km/s, os cientistas esperam que as duas sondas façam duas pequenas crateras de cerca de 3 m de diâmetro e separadas por 20 a 40 km. Uma das razões para escolher este local foi para criar a maior cratera possível, e também para evitar locais de pouso históricos, como os locais de pouso das missão Apolo, embora as chances disto acontecer fossem de 8 em um milhão.

Os cientistas esperam que a nuvem de gás e poeira lançada pelo impacto ajude a determinar como a atmosfera lunar, que de tão tênue é chamada de exosfera, interage com a superfície. Eles também esperam confirmar uma das descobertas da Apolo, o elemento cálcio no solo lunar. [io9, NewScientist]

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