O menor exército do mundo protege o papa Francisco, e ele é mortal

Por , em 30.09.2015

Se você já visitou o Vaticano ou presenciou alguma visita do Papa em algum outro país, já deve ter reparado em um grupo de guardas que parecem ter perdido o ônibus para algum festival temático da Renascença. A verdade é que eles são uma força militar de elite com mais de 500 anos de história, composta de ex-soldados suíços treinados para proteger o líder da igreja católica. Além de bem treinados, eles têm uma das melhores coleções de armas de fogo no planeta para garantir a segurança de Sua Santidade.

A Guarda Suíça Pontifícia é uma das unidades militares mais antigas em atividade no mundo. Fundada oficialmente em 22 de janeiro de 1506 pelo Papa Júlio II, na época a Guarda Suíça era, na verdade, uma força mercenária. No século 14, os guerreiros suíços eram conhecidos como os melhores em qualquer lugar que estivessem em batalha, famosos por sua capacidade de enfrentar exércitos muito maiores e ganhar. No século anterior, mercenários suíços foram testados no campo de batalha por diversas vezes, lutando, em certas situações, em nome do Sacro Império Romano. De certa forma, seu design compacto aliado a grandes resultados foi precursor das forças de elite especiais de hoje.

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Uma história de coragem

O primeiro compromisso importante da Guarda Suíça, e aquele que mostrou a dedicação e as habilidades da força de elite, ocorreu no dia 6 de maio de 1527. Os soldados do imperador Carlos V estavam no processo de saquear Roma quando tentaram invadir a Basílica de São Pedro. A comparativamente pequena força da Guarda Suíça segurou um ataque maciço tempo suficiente para que o Papa Clemente VII escapasse através de uma passagem secreta dentro do Passetto di Borgo, que ia até o Castelo Sant’Angelo, uma grande fortaleza nas proximidades. Eles lutaram por oito dias antes de se render, e alguns viveram para contar a história. Quase 150 dos 189 guardas que serviam na época deram suas vidas pela sobrevivência do Papa.

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Esta dedicação incrivelmente corajosa, quando a morte era praticamente certa, define a devoção da Guarda Suíça em relação à proteção do Papa a todo custo – um costume que existe até hoje.

Processo seletivo

A Guarda Suíça é o menor exército do mundo, com apenas cerca de 110 a 125 soldados e oficiais que servem a qualquer momento que forem solicitados. Os requisitos básicos para se candidatar são bastante simples. Você deve ser suíço, ter menos de 30 anos, ter pelo menos 1,72 metros de altura, e ter servido o exército suíço com bons méritos. Os candidatos também devem ser católicos e ter pelo menos um diploma. Além disso, devem ser solteiros, embora tenham permissão para casar se tiverem pelo menos 25 anos, já terem servido por três anos e se comprometerem a mais três anos de serviço. O prazo mínimo de serviço é normalmente de dois anos.

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Esses, é claro, são os requisitos básicos. O processo de seleção da Guarda Suíça procura candidatos que mostram extrema dedicação, destreza física, alto grau de educação e capacidades militares. Se o candidato prova que atende aos padrões da Guarda Suíça e é selecionado, é empossado pelo próprio Papa, um evento que ocorre em 6 de maio de cada ano. O treinamento inclui controle de multidões, proteção VIP, emprego de armas letais e não letais, vigilância e muitas táticas que o trabalho exige.

A Guarda Suíça tem quatro funções principais: acompanhar o Santo Padre em suas viagens; proteger o Colegiado de Cardeais durante as transições papais; proteger as entradas da Cidade do Vaticano; e executar outros serviços de segurança. Na maior parte do tempo, a Guarda Suíça vive e trabalha dentro dos 110 acres do Estado da Cidade do Vaticano. Isso inclui morar em um quartel centralizado que tem um refeitório, local de treinamento e instalações de ginásio, localizado perto dos apartamentos pontifícios. A unidade tem suas próprias equipes esportivas e banda.

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Armamento pesado

Um dos aspectos mais interessantes da Guarda Suíça é o seu arsenal, que é único no mundo. A Guarda Suíça usou amplamente todos os armamentos que o exército suíço possuía quando precisavam de atualizações durante os últimos séculos. Armaduras vintage e armas afiadas – principalmente a espada e a alabarda, uma arma antiga com uma longa haste e uma lâmina em formato de meia lua, que remontam centenas de anos no tempo – são usadas ainda hoje e não são apenas decorativas. A Guarda Suíça é treinada para usá-las em várias circunstâncias, tanto cerimoniais quanto aquelas, digamos, mais mortais.

Muitas vezes essas armas podem ser vistas ao lado de membros da Guarda Suíça vestindo o “Uniforme Gala”, que é o mais complexo uniforme militar atualmente em uso no mundo, quando combinado com a armadura cerimonial. Além de homens uniformizados, muitos soldados da força da Guarda Suíça ficam à paisana, usualmente vestindo ternos de negócios especialmente adaptados.

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Para manter as ameaças afastadas, eles atualizam suas armas frequentemente. Porém, a Guarda Suíça não costuma descartar armas antigas, provavelmente para não perder contato com as origens. Eles mantém, por exemplo, o uso do mosquete, rifle que começou a ser usado no século 16.

Embora o Vaticano não goste de discutir o assunto publicamente, até por questões de segurança, muitos oficiais à paisana estão nas proximidades do Papa quando ele está em movimento. Isto inclui especialmente as ocasiões em que ele viaja para o exterior. Estes oficiais da Guarda Suíça possuem o melhor armamento disponível, como a submetralhadora Heckler & Koch MP7, arma extremamente popular entre unidades de elite que incluem unidades de proteção presidenciais ao redor do globo. Ela é compacta o suficiente para ser escondida debaixo de um casaco e potente o suficiente para perfurar superfícies resistentes. Em relação ao poder de fogo de longo alcance, a Guarda Suíça tem uma variedade de rifles da série de assalto SG550 Sig, em diferentes configurações, para diferentes tipos de confronto.

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Linha Azul do Vaticano

Além da Guarda Suíça, o Vaticano tem sua própria polícia, conhecida como o Corpo de Gendarmerie da Cidade do Vaticano. Eles ajudam a dar corpo à Guarda Suíça Pontifícia durante as aparições do Papa, especialmente aquelas na Praça de São Pedro e no exterior, bem como proporcionar segurança geral, direção do tráfego e deveres de investigação para o Estado da Cidade do Vaticano.

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Esta unidade, que completará 200 anos de idade em 2016, é aproximadamente do mesmo tamanho que a Guarda Suíça. A pequena força altamente treinada inclui uma equipe de contra-ataque e uma unidade anti-sabotagem, que lida com a eliminação de ameaças explosivas.

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A Gendarmerie Corps está equipada com uma gama completa de armas modernas, incluindo pistolas Glock e Heckler & Koch e submetralhadoras Beretta.

Para a visita recente e de alta segurança do Papa para os EUA, Dr. Domenico Giani, o Inspetor Geral da Polícia e de Segurança do Vaticano, liderou a equipe. Ele também é guarda pessoal do Papa Francisco. Ele geralmente é visto ao lado do pára-choque dianteiro do Papa Móvel durante as viagens.

Pope Francis, Domenico Giani

Papa Francisco é destemido

A escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio como novo Papa em março de 2013, após a renúncia de Joseph Ratzinger, representou um desafio a mais para a Guarda Suíça. Quando viaja, a Guarda Suíça do Vaticano trabalha em estreita colaboração com a polícia local e unidades militares para planejar visitas aos locais de destino, com uma abundância de contingências em mente. Embora cada movimento público do Papa seja controlado, o Papa Francisco não é muito de seguir regras. Ele já ignorou amplamente procedimentos operacionais de segurança em suas visitas mundo afora. Não há nenhuma armadura visível no Papamóvel que ele usa atualmente, por exemplo: apenas um pára-brisas simples, possivelmente à prova de balas, separando uma cabine elevada ao ar livre. Além disso, em vez de uma limusine blindada, ele escolheu andar em um Fiat 500 ou nos compactos Ford Foca, com sua janela muitas vezes abaixada.

Pope Francis

Com isto em mente, a Guarda Suíça, a Polícia do Vaticano e as autoridades locais têm a incrivelmente difícil tarefa de parar os ataques antes que eles ocorram. Isso foi exemplificado pela segurança incrivelmente rigorosa durante a visita do Papa a Washington, Nova York e Filadélfia na semana passada. A viagem apresentou padrões de segurança que excederam até mesmo os do Presidente dos EUA, Barack Obama, em alguns casos.

Este nível de alta segurança incomoda o Papa, que é conhecido por andar fora do script muitas vezes. Mas o país em que o Papa está de visita é que tem a última palavra sobre a forma como o plano de segurança vai ser realizado, e, no caso da visita aos EUA, foi o Serviço Secreto, não o Serviço de Segurança Diplomática, em grande parte, que comandou as ações fora do círculo interno de guarda-costas pessoais do Papa. Isto incluiu uma carreata presidencial completa onde quer que ele fosse, bem como o uso de helicópteros de última geração, normalmente reservados apenas para funções de transporte aéreo presidencial.

Como tantas coisas que estão relacionadas com o Vaticano, o exército do Papa é intrigante. É incrível o quão bem a força manteve suas raízes culturais vivas enquanto ainda se prepara para as ameaças que existem hoje. E são essas raízes culturais que os lembra que seu trabalho poderia se transformar em um sacrifício em apenas uma questão de minutos. Essa realidade pode ser mais relevante hoje do que há quase 500 anos, quando a Guarda Suíça valentemente se manteve firme o suficiente para salvar o Santo Padre. [Fox Trot Alpha]

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4 comentários

  • Domm Peoplee:

    mas é claro né como o vilão desfaçado de mocinho iria ficar ileso ja que nem todo mundo é tapado

  • Marcelo Barbosa Alves:

    Quem é santo n precisa de guardas…

    • Marcelo Ribeiro:

      A não ser que alguém queira te matar.

  • Aomame Kawana:

    Adorei o post. Parabéns. Muito informativo e bem escrito.
    Sabia que a guarda suíça tinha era peculiar, mas não sabia que era tanto.

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